quarta-feira, 30 de março de 2011

Nilza e Antonio...


Nilza e Antônio Carlos se conheceram num bar, num sábado à noite. Houve entre os dois, uma atração muito grande, mais ou menos parecida com aquela que as pessoas costumam denominar de amor a primeira vista.

Antônio ficou encantado com a maneira alegre e descontraída da Nilza, e ela adorou o jeitinho tímido dele.

Depois deste sábado, começaram a namorar e passaram a se encontrar frequentemente. No principio sempre saíam juntos. Se tornaram quase que inseparáveis. Quando não estavam trabalhando, sempre encontravam um tempo para se encontrarem e ficarem juntos.

Após alguns meses de namoro, de excelente relacionamento, de muita felicidade, resolveram se casar. Tomaram este decisão com muita alegria, pois sentiam um grande amor um pelo outro, e se davam muito bem. Casaram, tiveram filhos, e viveram muito felizes por um bom tempo, mais ou menos uns oito anos.

Antônio Carlos às vezes se sentia incomodado com algumas atitudes da Nilza, e ela com algumas dele. Mas, por medo de se magoarem, para evitarem confusão, quase sempre optavam em não conversar, em não colocar para o outro o seu incômodo.

O problema, é que como todos sabemos, pequenos incômodos quando não são resolvidos, na maioria das vezes se tornam grandes, se acumulam e se transformam em mágoas. Pessoas magoadas passam a se proteger e costumam se distanciar de quem as magoou. E foi exatamente isso que aconteceu com o Antônio Carlos e com a Nilza.

Com o passar dos anos, e diante de tantas pequenas mágoas não esclarecidas, eles foram se distanciando um do outro, passaram a não mais conversar, a até mesmo demonstrar intolerância um com o outro. E eles, que antes eram cúmplices companheiros e amigos, se tornaram quase desconhecidos (mesmo morando juntos, numa mesma casa). Em alguns momentos, se comportavam como adversários, sentiam o distanciamento, sofriam com ele, e culpavam um ao outro. Brigavam e se acusavam.

Antônio passou a não ter vontade de voltar para casa, trabalhava até mais tarde (na verdade, fazia hora na rua, para não ter que voltar), e a Nilza também.

Esta situação acontece na vida de muitos casais. Um dia, duas pessoas se conhecem, se encantam uma pela outra. E resolvem se unir. Conversam, fazem planos, trocam confidências, se tornam cúmplices e amigas. Andam de mãos dadas, se beijam, trocam palavras carinhosas e se tratam com respeito. Sentem uma imensa vontade de ficarem juntas, de conversarem sobre os mais variados assuntos, de compartilharem os planos e de comemorarem juntas as vitórias. Se gostam tanto, cuidam tanto uma da outra, que muitas vezes passam a omitir falas, comportamentos e sentimentos. Para não magoar!

E facilmente o ato de omitir se transforma e se mistura com o de mentir. Por medo de se revelar, de se contradizer, se evita conversar. O diálogo deixa de acontecer, o relacionamento passa a ser insatisfatório. A sensação de solidão aparece e vai tomando proporções incômodas, pois a solidão que mais dói, é aquela que sentimos quando estamos acompanhados.

Pela falta do diálogo, alguns casais se separam fisicamente, e outros passam a vida tentando perpetuar uma maneira infeliz de viverem juntos. E tudo muitas vezes começa com a tristeza dos dois pelo mesmo motivo: um sente falta do amor e do companheirismo do outro!

sábado, 26 de março de 2011

Rir e sorrir

Eu gosto de sorrir. Aliás, dizer que gosto, é pouco, diante da tamanha satisfação que sinto em sorrir.
Me habituei a andar pelas ruas sorrindo. Por gostar tanto, e por acreditar no imenso bem que faz receber um sorriso sincero e afetuoso, sorrio e cumprimento todos os que passam por mim. Naturalmente. E sinceramente!
Algumas pessoas retribuem, outras demonstram surpresa, e outras, fazem de conta que não viram, nem ouviram meu cumprimento. Tudo bem, não espero retribuição, mas acredito que receber e dar um sorriso, sempre faz bem. Por acreditar de verdade nisso, e pelo desejo sincero que tenho de ver o maior número de pessoas possível feliz, não mudo. E continuo sorrindo! E gostando muito disso!
Desde bem pequena, adquiri este gostar. E gosto igualmente do sorriso das pessoas. Sou tão fã de sorrisos, que, após muitos anos observando esta maneira de expressar das pessoas, desenvolvi uma percepção bem aguçada para constatar que existem muitas variedades de sorrisos.
O que mais gosto, e que realmente me deixa numa alegria danada, é o sorriso verdadeiro. Aquele que não é expressado apenas com os lábios, e com os dentes à mostra. Este é bem mais abrangente. Pode ser percebido na face inteira, é tão limpo, que chega a brilhar. Irradia de maneira tão forte, que contagia todos que estão por perto e o veem. Demonstra bem querer! Respeito, admiração! Desperta real bem estar, tanto em quem dá o sorriso, quanto em quem recebe.
Infelizmente, existem outros que apesar de serem igualmente expressados com os lábios e os dentes, não são nada agradáveis. Muito ao contrário, são horríveis de se ver, e quando direcionados para um de nós, fazem um mal imenso!
Alguns desta categoria são de sarcasmo. Aparecem para debocharem de alguém. Na maioria das vezes, são causados pela inveja. É comum, algumas pessoas debocharem de alguém que admiram, por ter alguma característica que gostariam de ter. Coisas de ser humano!?
Tem aquele sorriso cínico, de alguém que planeja alguma vingança. Um horror de feio! Na verdade, apesar de ser demonstrado com os dentes a mostra, nem deveria ser caracterizado como sorriso, mas sim careta. E bem feia!
Existe diferença também nos sorrisos da vitória. Quem sorri pela vitória honesta, aquela resultante do esforço e do mérito próprio, é fantástico. Lindo! Demonstra alegria, satisfação! Sensação de dever cumprido, de esforço válido e reconhecido.
Por outro lado, aquele sorriso pela vitória conseguida através de muitas artimanhas desonestas, é pequeno, por isso, pode ser chamado de sorrisinho. É pequeno, em todos os sentidos. Pode até aparecer largo, mas não deixa de ser bem pequeno.
Existem pessoas que não sabem sorrir. Ou que se sabem, inibem bastante este saber. Quando conseguem se permitir, o máximo que conseguem, é um sorriso disfarçado, quase invisível. Algumas pessoas, parece que sentem vergonha de sorrirem. Se habituam a esconder os lábios, quando, por algum acaso, não conseguem se conter, e deixam escapar uma demonstração de alegria, de contentamento. E o sorriso aparece nos seus lábios!!
Eu acredito que estamos precisando urgentemente de rir e sorrir mais! Faz bem para o nosso corpo, nossa alma, e para o mundo!!!De verdade e com sinceridade!!

sábado, 19 de março de 2011

Incomodar...Acomodar...

E tantas pessoas se menosprezam, para não chatearem o outro! Negam as próprias vontades. Para satisfazerem a vontade de alguém! Se submetem a cada situação de total desconforto, simplesmente para proporcionarem conforto ao outro. Não querem chatear o outro! Elas podem se chatearem!



Fazem de tudo para que o outro não fique com raiva delas! Muitas vezes, sentem raiva delas mesmas, por cederem! Mas continuam cedendo! O outro é mais importante! O outro merece mais atenção. Respeito! O outro não pode ser magoado, contrariado! O bem estar do outro tem sempre que estar em primeiro lugar! Tem que ser atendido, obedecido! E por acreditar nisso, é comum pessoas se anulando, se negando, para atenderem a necessidade de afirmação do outro. Abrindo mão da própria felicidade, para ver o outro feliz! Não colocando limites, permitindo que facilmente alguém invada seu espaço. Vivem se sentindo sufocadas, acuadas, podadas. Insatisfeitas de tanto cederem. De tanto atenderem as cada vez mais intensas exigências do outro!



Será que tem que ser assim? Será que é justo, alguém aceitar se sentir incomodado, para deixar o outro acomodado! Algumas pessoas vivem assim! Algumas muitas! Fazendo um esforço imenso, para proporcionarem conforto ao outro, mesmo que para isso, se imponham uma vida de total desconforto. Aceitam um incômodo horrível, mas não encontram coragem para incomodar o outro (para tirá-lo da acomodação)!



E é claro, que do lado oposto, existe sempre alguém tirando proveito disso. Os folgados! Egoístas! Aqueles que se recusam a serem contrariados. Que vivem sempre lidando com todos que o rodeiam, como se existissem apenas para lhes serem úteis. E se relacionam assim. Exigindo que suas necessidades sejam sempre atendidas em primeiro lugar, que tudo aconteça ao seu redor, para lhe satisfazer. Acomodando, ultrapassando o limite, ocupados apenas com o próprio conforto! E nem um pouco preocupados com o bem estar de quem quer que seja. Mas apenas com o seu!



Querem viver acomodados, satisfeitos, e fazem de tudo para isso! Muitas vezes de uma maneira despistada, sutil. Até doce! Como quem não quer nada, se aproximam de alguém, suavemente, carregando tudo que consideram importantes para seu bem estar. E descarregam! E o outro tem por obrigação, aceitar, se calar. Se submeter! Se encolher, para ceder espaço. Do contrário, o folgado se sente magoado! Ele está tão acostumado a ser obedecido, a causar incômodo no outro, em nome da sua acomodação, que nem cogita aceitar qualquer tentativa de ser diferente! Ele não quer de maneira alguma, ser incomodado! Muito ao contrário, ele quer é ser acomodado. É o que ele sempre busca, e espera que o outro lhe proporcione, sem reclamar.



Espera não, exige! Ele quer sempre e apenas, desfrutar de acomodação, e é interessante, como que constantemente encontram alguém que considera natural conviver com um eterno incômodo, simplesmente para presentear o folgado!



Um não existe sem o outro! E eles sempre se encontram por aí!!Afinal, para todo pé, sempre existe um chinelo que se encaixa perfeitamente...



O pé pode crescer, daí... Ainda bem! Ou não!



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terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres...

Nós mulheres temos papel determinante. A vida humana só é possível, só se concretiza através de nós! Somos mães! É de fundamental importância que cada uma de nós se conscientize disso, e exerça este papel com orgulho, e mais do que isso, com responsabilidade.

Temos responsabilidade direta nos caminhos do mundo. Somos educadoras! Na pré-escola, por exemplo, onde muitas vezes acontecem as primeiras incursões no mundo extra lar, a presença feminina ainda é predominante.

Nos lares, o papel da mãe é determinante na formação da personalidade adulta dos filhos. E nós tantas vezes reclamamos que somos injustiçadas e desrespeitadas pelos homens. Homens que, na imensa maioria das vezes foram educados por nós!

Ao que parece, muitas mulheres não conseguem ter consciência clara de quanto poder temos em nossas mãos. Poder este que podemos perfeitamente direcionar para termos uma sociedade realmente mais justa, onde o respeito pelo outro predomine. Esta capacidade é nossa, somos dotadas de características que nos possibilitam criarmos adultos justos e respeitosos.

Uma mãe que se posiciona na relação com o companheiro no papel de vítima, aceitando constantes atitudes de desrespeito, o que ela está ensinando para seus filhos? Que a mulher é uma coitada, ou pior ainda, que a mulher é um ser que não merece respeito, que pode ser agredida, desqualificada? Ou ainda, aquela mãe que direciona a educação do filho pretendendo torná-lo rude, agressivo, inclusive não permitindo-lhe qualquer demonstração de afetividade.

Não concordo com a idéia de que nós mulheres tenhamos que entrar em competição com os homens simplesmente porque acredito que o ser mulher está, além disso, e considero totalmente sem lógica, ouvir falar sobre a tão propagada “guerra dos sexos”. Cada ser humano é único, seja ele homem ou mulher. Todos nós temos características que nos fazem diferentes e originais. E são justamente estas características que fazem de nós, que assumimos genuinamente nossa potencialidade de mulheres, seres tão maravilhosos e especiais.

Diante disso, acredito que o mais sensato e inteligente, portanto mais condizente com o ser mulher, é que cada uma de nós ocupe o espaço que nos pertence. E isso se faz possível, quando abandonamos aquela submissão e fragilidade culturalmente ensinadas para a grande maioria das crianças do sexo feminino, e que infelizmente tantas vezes cria raízes tão profundas na personalidade de muitas de nós, conseguindo nos deixar paralisadas e impotentes, mesmo diante da imensa capacidade que temos, quando nos tornamos adultas.

Infelizmente, muitas mulheres têm optado em suprimir peculiaridades próprias do ser feminino e incorporando comportamentos ditos “masculinos”, usando a estranha justificativa de “igualdade de direitos”. Comportamentos estes que inclusive já foram condenados e motivos de muita insatisfação por parte delas.

Negam a essência do feminino e passam a ter condutas que envergonham e denigrem aquelas que são autenticamente mulheres. Quando por exemplo, justificam relacionamentos extraconjugais, usando frases do tipo: “se os homens podem, nós também podemos”??!!!..

Acredito que muitos homens ignoram completamente o universo feminino e ao que parece, algumas mulheres também, pois este nosso universo não tem necessariamente que ser representado pelo uso de maquiagem, esmalte, salto alto ou comportamentos sedutores. É pouco! Ele é muito maior e bem mais extenso.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Matutinos e Notivagos

Existem algumas pessoas que na maioria das vezes, são injustiçadas e incompreendidas, rotuladas como preguiçosas e até mesmo irresponsáveis, simplesmente porque não se enquadram naquele esquema, que não sei quem inventou, de que pessoas trabalhadoras e responsáveis são aquelas que acordam bem cedinho, logo pela manhã.

E que apesar disso, reclamam sempre da falta de tempo!

Estabeleceram que o melhor horário para o funcionamento do comércio, dos bancos, das pessoas, enfim, do mundo, seria a partir de sete ou oito horas da manhã.

Horário caótico e completamente ilógico e difícil de ser seguido para os notívagos, ou seja, aquele grupo de pessoas que não consegue, como a maioria dos “normais” ter sono entre dez e meia noite, e acordar pela manhã esbanjando vitalidade, ânimo e disposição.

Diferentemente destes matutinos, os notívagos conseguem ser mais produtivos à noite e pela madrugada adentro, e também conseguem ter mais atenção, energia, disposição e ânimo, justamente naquele horário em que a maioria diz ter sono.

Ao contrário do que pensam os matutinos, que erroneamente costumam classificar os notívagos de preguiçosos, eles conseguem durante a noite e pela madrugada adentro, serem bastante trabalhadores, dinâmicos e produtivos. Inclusive, cientificamente foi comprovado que esta diferença é realmente orgânica, e se origina por fatores genéticos!

Dois grupos de pessoas: os matutinos e os notívagos. Tudo bem? Não, nada bem porque dizem que “quem madruga Deus ajuda”, “dormir até tarde é coisa de malandro”, “acordar tarde é coisa de gente preguiçosa” e ser preguiçoso é considerado um defeito horrível, principalmente na concepção dos que se denominam responsáveis e que, religiosamente seguem esquemas e normas pré-estabelecidas.

Somos minoria e só por isso, somos constantemente desrespeitados.

Todas as pessoas responsáveis acordam cedinho lá pelas seis ou sete horas da manhã. Certo? Não. Erradíssimo!

Muitos notívagos, que inclusive são pessoas super responsáveis, podem estar iniciando o sono justamente neste horário.

Imagina um notívago ligando para a casa de alguém, quando está acordado, super animado, cheio de idéias, às duas horas da manhã, por exemplo. Certamente seria considerada insanidade ou falta de respeito!

Pois é, o matutino liga para qualquer pessoa as oito, nove e até às sete horas da manhã! Puro egoísmo!

Antes, quando me forçava a entrar neste esquema matinal, e acordar cedinho com o barulho do despertador, me enquadrava como insone, e a única coisa que conseguia era ficar rolando na cama quase a noite toda, e passar a manhã inteira sonolenta e pouco produtiva.

Agora, que me permito respeitar meu horário biológico e me assumir como autêntica notívaga que sou, consigo ser altamente produtiva e criativa. E muito mais feliz!

Como geralmente não consigo dormir antes das duas da manhã, aproveito este meu tempo para ler, escrever e pensar em coisas que antes não tinha tempo, pois me obrigava a deitar cedo para inutilmente tentar dormir e conseguir levantar da cama ao amanhecer.

Hoje, descobri que a melhor maneira de realmente aproveitar o tempo, é viver intensamente a vida, é me conhecer e não negar as minhas peculiaridades, pois são exatamente elas que me propiciam a capacidade de, por exemplo, estar aqui agora, tranquila e feliz, às duas e quinze da manhã, escrevendo este artigo, ao invés de estar rolando na cama, impaciente e ansiosa, por não conseguir dormir!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Gente importante!!!

Silvio, como sempre, acordou pela manhã já apressado!

Como de hábito, tinha um milhão de coisas para fazer durante o dia, e além deste um milhão, naquele dia ainda tinha outros extras! Além dos compromissos diários com o trabalho, ainda precisava resolver algumas questões no banco, do qual era cliente. Sabia que a ida ao banco, como sempre, seria demorada.

Mas naquele dia, com toda certeza seria mais demorada ainda, pois era dia de pagamento para muitos trabalhadores. Nestes dias, mais do que nos outros, os bancos costumam ficar ainda muito mais cheios!

Saiu de casa apressado (mais do que de costume)!

Chegou ao trabalho e adiantou o que tinha para fazer. Adiantou um pouco o horário de almoço, na esperança de chegar ao banco bem no início do expediente, já que acreditava que talvez, estaria menos cheio!

Já na rua, percebeu que não ia ser fácil, pois todos os bancos estavam lotados, com filas imensas. Tentou se consolar, pois não ia ao caixa, e sim conversar com o gerente da sua conta, o que talvez, no seu pensamento, seria mais rápido.

Para entrar no banco, já teve que perder alguns segundinhos preciosos, pois a porta travou algumas vezes. Pessoas apressadas, que se esqueceram de deixar o celular! A pressa tem destas coisas! Muitas vezes, a correria e a ansiedade provocadas pela pressa, nos faz atrasar ainda mais!

Quase começou a se irritar. Tinha que voltar ao trabalho, mas não podia sair dali, sem falar com o gerente, sem resolver o que tinha que resolver.

Respirou fundo, e sentiu até um certo alívio, quando se viu dentro do banco. Bom, agora era só caminhar até o segundo andar, pegar uma senha, se acomodar em uma daquelas cadeiras, que até que são um pouco confortáveis, e esperar chegar sua vez para ser atendido.

Passou pelo andar onde ficam os caixas, e chegou a se sentir um pouco privilegiado, pois as filas estavam imensas, e ele não teria que enfrentá-las. Quase se sentiu um sortudo! Quase, pois assim que subiu a escada, já constatou que a sua vida não seria assim tão fácil ali dentro.

Todas as cadeiras estavam ocupadas. E ainda tinha muita gente em pé. Como é uma pessoa otimista, ainda se consolou pensando que talvez, nem todos ali estavam querendo falar com o gerente, já que neste andar existem outros serviços também.

Tentando despistar, deu uma olhada o número da senha de uma senhora que estava de pé, bem a sua frente. Doze. Levou um susto danado! A senha dele era número trinta e oito!

Ouvindo conversas das pessoas, teve a certeza que todas estavam ali, querendo falar com um dos gerentes. Respirou fundo novamente e tentou ficar calmo. Conseguiu!

Esperou pacientemente chegar sua vez. Ligou para um colega do trabalho e informou que talvez não voltaria mais naquela tarde. Nem teve coragem de olhar no relógio!

Depois de uma longa espera, finalmente apareceu na tela o número 38. Ficou numa alegria danada! Viu, valeu a pena esperar! Pensou! Abriu um sorriso! De satisfação e alívio! Agora seria atendido pelo gerente, e resolveria as questões que o levaram ali.

Chegou diante da mesa, apertou a mão do gerente. Se acomodou na cadeira. –Boa tarde! Pois não? Silvio começou a falar o motivo que o levara ali. O telefone tocou. O gerente bastante simpático e gentil, pediu licença ao cliente presente na sua frente e atendeu. Pronto! Pelo sorriso, e pela disponibilidade da voz do gerente, Silvio concluiu que quem estava ao telefone seria atendido primeiro.

Bom, mas mais uma vez se consolou. Sua vez, finalmente tinha chegado! Pelo menos, o gerente estava bem ali, na sua frente! Pensou em reclamar, mas preferiu se calar!

Com toda certeza, o cliente do telefone, era alguém mais importante e ocupado que ele!?????????

terça-feira, 1 de março de 2011

GOSTO DE PESSOAS

Coleções!!!

Ser humano tem mania de colecionar, juntar. São muitas as variedades. A coleção geralmente começa com uma paixão, que rapidamente se torna mania. Algumas pessoas colecionam objetos antigos os mais variados: louças, móveis, carros, e uma infinidade de itens a mais. Existem aqueles colecionadores (a maioria deles) empenhados em sempre aumentarem cada vez mais o acervo. Fazem loucuras para terem aquele item considerado raro, valioso, pelos que colecionam determinados objetos. Existem peças caríssimas, e pessoas que não medem esforços para consegui-las. Dizem que colecionar é extremamente gratificante, que os colecionadores sentem um prazer imenso quando admiram os itens que pertencem ao seu acervo pessoal. E um prazer grande também, quando adquirem determinado item. Uma coleção dá trabalho, pois tem que ser tratada com cuidados especiais, e todos que colecionam sabem disso, e gastam um tempo e uma energia intensa para cuidarem dos seus “tesouros”. Não é simples e nada fácil ser um colecionador! São muitas as dificuldades, demanda tempo, gasta-se dinheiro. Mas, de acordo com eles, vale a pena, pois olhar e cuidar da coleção os faz felizes. Dizem também, que a empolgação que sentem, quando estão prestes a aumentarem a coleção, é algo indescritível. E existe também o valor afetivo que existe pelo que se coleciona. Colecionar, pode talvez ser comparado a um vício. A pessoa cada vez quer mais. Está relacionado ao prazer, a euforia, a satisfação. Algumas pessoas até admitem que a prática de colecionar se tornou um vício na vida delas. O vício é uma forma de se preencher imediatamente o vazio que se sente. Só se vicia em algo que nos dá uma sensação, na maioria das vezes falsa, de preenchimento, de saciedade de uma necessidade. De prazer! Tudo bem quando se coleciona carrinhos, álbuns de figurinhas, revistas em quadrinhos, canetas, objetos de arte, cartões de telefone, Ferraris, bolsas Louis Vuitton. Tudo bem quando o prazer é proporcionado por juntar objetos. Hoje em dia, se coleciona de tudo. Algumas pessoas se ocupam demasiadamente com esta mania. Mas existem pessoas que são colecionadoras de sentimentos nocivos. Gostam de colecionar sentimentos que lhes causam tristeza. E conseguem se tornar grandes colecionadores! Alguns colecionam mágoa, rancor. E cuidam com bastante zelo dos itens desta sua coleção. Como todo colecionador, fazem questão de sempre adquirirem mais e mais. E se empenham em terem muitos destes itens, para que a sua coleção fique cada vez maior. Estão sempre achando motivos para aumentarem o acervo. Como todo colecionador que se preza! Precisam desesperadamente da sua coleção aumentada. E não medem esforços para sempre conseguirem mágoa. Bolam estratégias, criam situações, e muitas vezes, até estimulam as pessoas que as rodeiam, a fornecerem exemplares para aumentarem sua coleção. A recusa destas pessoas em ajudarem, também é bem recebida, pois se torna um item valioso: a mágoa por ter sido contrariada! Como todo vício, se viciar em ser uma pessoa magoada, que cultiva o rancor, é perigoso. Para o colecionador e para quem, por algum motivo se relaciona com ele. E bastante estranho também. Só guardamos o que, de alguma forma precisamos, ou achamos que vamos precisar um dia. Ninguém guarda algo que lhe parece inútil, que lhe incomoda. Só se acumula algo que se valoriza, pelo qual se tem algum tipo de afeto. A coleção agrada o colecionador. Quem coleciona mágoa sente prazer por este sentimento? Forma estranha de sentir prazer!!!