Dirce vive se sentindo insatisfeita. Triste. Já acorda logo pela manhã com uma horrível sensação de desânimo. Habitualmente levanta da cama de mau humor. Irritada! Se está frio, reclama porque tem vontade de ficar debaixo dos cobertores quentinha. Mas se o sol brilha lá fora, se irrita, por ter que ir trabalhar. Queria mesmo ir para o clube, nadar. Sai de casa em direção ao trabalho, numa irritação imensa. Diz sempre que detesta seu trabalho. Diz isso, mas na verdade, sabe mesmo que detesta trabalhar. Tanto que enrola o mais que pode. Sempre que tem uma oportunidade, faz de conta que trabalha. Não se ausenta do local, mas também não se esforça. Bom, não se ausenta fisicamente, mas não faz o que tem que ser feito. A sua função é atender as pessoas. Antes de começar a trabalhar, já esteve ali várias vezes como usuária dos serviços que agora presta. Sentia tanta indignação quando era mal atendida! Quando por algum motivo, demoravam para atendê-la, ficava chateada. Achava falta de respeito! Ficava irritada quando a atendente estava falando ao telefone, e a deixava esperando. Não entendia como alguém que trabalha com pessoas, conseguia ser tão irresponsável e lidar com tanta indiferença com o outro! Já chegou a verbalizar sua indignação algumas vezes. Mas parece que depois que se tornou funcionária, se esqueceu com extrema facilidade e rapidez disso. Acha insuportável, e nem se importa em atender pelo menos com educação as pessoas que a procuram. O mais comum, é tratar todos que ali chegam precisando do seu atendimento, com muita grosseria e desleixo. E indiferença! Deixa-os às vezes um bom tempo esperando. De maneira irresponsável, bate papo com os colegas, conversa com amigos no msn e aproveita o telefone da firma, para ligar para vários conhecidos. Afinal, não vai ser ela quem vai pagar. Tem celular, mas durante o dia, o usa geralmente só para receber ligações. Aproveita o telefone do seu local de trabalho, para colocar a conversa em dia. Seu aparelho de celular é sempre o mais moderno e atual que existe. Antes de trabalhar naquele local, não tinha nenhum. Aliás, quando estava desempregada, passava muitas dificuldades. Se sentia tão infeliz por não trabalhar! Sonhava em conseguir um emprego, em se sentir produtiva. E mais que isso, em ter um salário. Vive com os pais e dependia financeiramente deles. Para tudo! Achava insuportável aquela situação. Sentia tanta tristeza! Adora sair à noite, ir a shows, comprar roupas novas. Quando não trabalhava, nem podia sair muito. Shows então, nem pensar, pois seus pais ganham pouco e ela ainda tem mais cinco irmãos pequenos. O dinheiro dos pais mal dá para sustentar o básico da família. Ela queria muito trabalhar, ter seu próprio dinheiro. Parar de depender dos pais. Batalhou muito para conseguir aquele emprego. Ficou tão feliz e animada quando conseguiu! Agora tem o próprio salário, e pode ter acesso a várias coisas que sempre quis. E reclama! Parece que já apagou da memória as dificuldades que passava antes de começar a trabalhar. Situação muito comum! Ser humano costuma ser assim. Reclama porque não tem. Mas esbraveja quando consegue! O trabalho costuma estar como um dos primeiros das listas de reclamações e insatisfações de várias pessoas. Não sei quem estabeleceu que trabalhar é sempre ruim, desgastante. E como sempre, muitas pessoas aderiram a esta maneira de pensar. E estão por aí, exercendo a profissão de uma maneira tão desleixada e insignificante, que o que fica parecendo é que insignificantes e desleixados na verdade são eles.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
TRABALHAR...PRODUZIR...
Dirce vive se sentindo insatisfeita. Triste. Já acorda logo pela manhã com uma horrível sensação de desânimo. Habitualmente levanta da cama de mau humor. Irritada! Se está frio, reclama porque tem vontade de ficar debaixo dos cobertores quentinha. Mas se o sol brilha lá fora, se irrita, por ter que ir trabalhar. Queria mesmo ir para o clube, nadar. Sai de casa em direção ao trabalho, numa irritação imensa. Diz sempre que detesta seu trabalho. Diz isso, mas na verdade, sabe mesmo que detesta trabalhar. Tanto que enrola o mais que pode. Sempre que tem uma oportunidade, faz de conta que trabalha. Não se ausenta do local, mas também não se esforça. Bom, não se ausenta fisicamente, mas não faz o que tem que ser feito. A sua função é atender as pessoas. Antes de começar a trabalhar, já esteve ali várias vezes como usuária dos serviços que agora presta. Sentia tanta indignação quando era mal atendida! Quando por algum motivo, demoravam para atendê-la, ficava chateada. Achava falta de respeito! Ficava irritada quando a atendente estava falando ao telefone, e a deixava esperando. Não entendia como alguém que trabalha com pessoas, conseguia ser tão irresponsável e lidar com tanta indiferença com o outro! Já chegou a verbalizar sua indignação algumas vezes. Mas parece que depois que se tornou funcionária, se esqueceu com extrema facilidade e rapidez disso. Acha insuportável, e nem se importa em atender pelo menos com educação as pessoas que a procuram. O mais comum, é tratar todos que ali chegam precisando do seu atendimento, com muita grosseria e desleixo. E indiferença! Deixa-os às vezes um bom tempo esperando. De maneira irresponsável, bate papo com os colegas, conversa com amigos no msn e aproveita o telefone da firma, para ligar para vários conhecidos. Afinal, não vai ser ela quem vai pagar. Tem celular, mas durante o dia, o usa geralmente só para receber ligações. Aproveita o telefone do seu local de trabalho, para colocar a conversa em dia. Seu aparelho de celular é sempre o mais moderno e atual que existe. Antes de trabalhar naquele local, não tinha nenhum. Aliás, quando estava desempregada, passava muitas dificuldades. Se sentia tão infeliz por não trabalhar! Sonhava em conseguir um emprego, em se sentir produtiva. E mais que isso, em ter um salário. Vive com os pais e dependia financeiramente deles. Para tudo! Achava insuportável aquela situação. Sentia tanta tristeza! Adora sair à noite, ir a shows, comprar roupas novas. Quando não trabalhava, nem podia sair muito. Shows então, nem pensar, pois seus pais ganham pouco e ela ainda tem mais cinco irmãos pequenos. O dinheiro dos pais mal dá para sustentar o básico da família. Ela queria muito trabalhar, ter seu próprio dinheiro. Parar de depender dos pais. Batalhou muito para conseguir aquele emprego. Ficou tão feliz e animada quando conseguiu! Agora tem o próprio salário, e pode ter acesso a várias coisas que sempre quis. E reclama! Parece que já apagou da memória as dificuldades que passava antes de começar a trabalhar. Situação muito comum! Ser humano costuma ser assim. Reclama porque não tem. Mas esbraveja quando consegue! O trabalho costuma estar como um dos primeiros das listas de reclamações e insatisfações de várias pessoas. Não sei quem estabeleceu que trabalhar é sempre ruim, desgastante. E como sempre, muitas pessoas aderiram a esta maneira de pensar. E estão por aí, exercendo a profissão de uma maneira tão desleixada e insignificante, que o que fica parecendo é que insignificantes e desleixados na verdade são eles.
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