Uma conduta comum em quase todo ser humano: diante do que ele não entende, assuntos dos quais ele tem consciência que desconhece, que é ignorante, costuma ficar com medo, assustado. E para se proteger, encobre de fantasias. Cria estórias mirabolantes, lida de maneira preconceituosa.
Para não encarar a própria ignorância, para se proteger do medo, outras vezes para encobrir o fascínio, algumas vezes até mesmo para disfarçar a admiração e a inveja, muitas pessoas preferem ridicularizar, debochar e criticar o diferente.
Acarretam sofrimentos, cometem injustiças, tantas vezes levados unicamente pela covardia, pela inflexibilidade, pela recusa em admitir a falta de lógica de se ter o preconceito.
Pela pouca capacidade de raciocínio que dificulta questionar e entender a lógica da discriminação, da não aceitação.
Pois na verdade, sabemos que a imensa maioria dos preconceitos (talvez todos) são ilógicos, infundados. Frutos da ignorância prepotente e arrogante de pessoas sem humildade e insensatas. Que o surgimento deles muitas vezes aconteceu devido justamente à ignorância, ao autoritarismo, à conveniência.
Durante anos, por exemplo, os canhotos foram vítimas da incompreensão, do preconceito e da não aceitação por parte de muitas pessoas. Crianças que insistiam em usar predominantemente a mão esquerda na realização das tarefas corriqueiras eram castigadas, muitas tinham a mão esquerda amarrada, para serem obrigadas a usarem a “mão certa”.
Pessoas preconceituosas e ignorantes (como a maioria dos preconceituosos) contavam “histórias” assustadoras que envolviam os canhotos, os classificavam como “personagens do mal” e assim, propagavam a ignorância e desencadeavam a discriminação, a imposição do sofrimento injusto.
Hoje sabemos que muitas daquelas crianças ficaram com seqüelas emocionais. Sofreram, foram maltratadas, discriminadas. Sentiam vergonha por serem “diferentes”! Eram estupidamente obrigadas a se adequarem?!
E os preconceituosos não têm limites e muitos se tornam perigosos, pois ficam descontrolados, fanáticos (comportamentos típicos de quem não tem tanta segurança de que está certo).
Preconceito, conceito pré -estabelecido por alguém! Por quem? E tantas pessoas acatam e defendem, sem nem mesmo pensarem a respeito!
E passam para frente, ensinam os filhos a pensarem assim (a não pensarem a respeito), a terem preconceito, a permanecerem ignorantes sobre a lógica e o fundamento daquele conceito que um dia alguém espalhou que era o certo!
E discriminam, lidam de maneira desrespeitosa, impõem sofrimento e vergonha. Não permitem ao diferente ser feliz, viver a sua individualidade de maneira livre. Agem de maneira arrogante, prepotente, tentando impor aquilo que acreditam, de forma completamente ignorante que é o mais adequado!
Que tal rever seus preconceitos, pensar a respeito deles?
Quem sabe você elimina alguns.
Melhor se forem todos!
domingo, 29 de agosto de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Viver...Esperar...Decepcionar?
Muitas pessoas investem uma quantidade extraordinária de tempo e energia, desqualificando, insultando, desmerecendo a si próprias e ao outro, pelos mais variados motivos. A grande maioria das vezes isso acontece, porque um dia, muitas vezes até mesmo bem distante, se tomou determinada decisão, por acreditar nela, e mais tarde percebeu que não era a mais acertada. Criticamos veemente a maneira de ser do outro, suas atitudes, mas tantas vezes repetimos na nossa vida, nos nossos relacionamentos, estas atitudes tão firmemente condenadas por nós. Vivemos nos esquecendo que acertar sempre, não é possível. Apesar deste ser um desejo da maioria, é totalmente impossível de ser realizado. Tenho certeza, que queremos viver bem, sentir felicidade, alcançarmos tudo que desejamos. Quantas vezes, apesar de termos o real desejo de agradar alguém, falhamos, e magoamos. Ou ainda, outras tantas vezes nos sentimos magoados por alguém. Decepcionados com a atitude do outro. Ninguém vem ao mundo, com um manual detalhado de como fazer tudo de maneira absolutamente correta. Não chegamos por aqui neste mundo, completamente prontos, com tudo calculado. Não passamos por nenhum treinamento de como sempre fazer tudo absolutamente certo. A nossa vida não é como uma equação matemática, onde o resultado pode ser calculado sem possibilidade de erro. Viver não é sempre alcançar, muito menos acertar sempre. Muito menos agradar sempre e a todos que nos rodeiam. Cobramos a todo momento do outro, e muitas vezes de nós mesmos, uma postura infalível. E apesar de tantas vezes constatarmos a impossibilidade de atender a esta cobrança, insistimos nela. E vivemos acumulando decepções, experimentando inúmeras frustrações, diante dos imprevistos, dos resultados distantes daqueles que desejamos. Mas não desistimos. E quantas vezes, diante de algum comportamento do outro que não condiz com o que queremos dele, ficamos irritados. Tristes. Simplesmente por não termos sido atendidos na expectativa que criamos. Agimos como crianças mimadas. Que esperneia, chora e faz uma cena bem desagradável, pela dificuldade que temos de lidar com frustrações. Quantas vezes passamos boa parte da nossa tão curta existência nos martirizando, porque erramos, e não conseguimos o resultado esperado. Ou condenando e torturando o outro, por ele ter errado (de acordo com nosso julgamento). Temos cada vez mais, uma dificuldade tão grande de simplesmente relevar, perdoar os deslizes, os erros nossos, ou do outro. Viver é tentar. Algumas vezes ter sucesso, outras tantas fracassar, se frustrar. Mas se passamos o tempo inteiro valorizando mais os erros, tanto os nossos como o do outro, corremos um risco imenso de não aproveitar os acertos. Ou ainda, de diminuir muito toda e qualquer possibilidade de acertos. Quando assumimos uma posição de amargura, de constante rancor diante do mundo, nossa visão fica diminuída, nossa capacidade fica limitada. Pois passa a prevalecer o sentimento de desânimo, e ele é um bom alimento para a nossa lentidão diante das situações da vida. Viver sentindo constante arrependimento nos enfraquece. Se relacionar com o mundo de maneira amargurada, nos deixa bem propensos ao fracasso, a uma vida de constantes frustrações. Se cobrar a perfeição, exigir do outro que corresponda sempre a tudo que eu espero dele, é se candidatar a perder a oportunidade de realmente viver. O ideal muitas vezes passa bem longe do real. Principalmente quando idealizamos sobre a maneira de ser, de agir e de viver do outro!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
TRABALHAR...PRODUZIR...
Dirce vive se sentindo insatisfeita. Triste. Já acorda logo pela manhã com uma horrível sensação de desânimo. Habitualmente levanta da cama de mau humor. Irritada! Se está frio, reclama porque tem vontade de ficar debaixo dos cobertores quentinha. Mas se o sol brilha lá fora, se irrita, por ter que ir trabalhar. Queria mesmo ir para o clube, nadar. Sai de casa em direção ao trabalho, numa irritação imensa. Diz sempre que detesta seu trabalho. Diz isso, mas na verdade, sabe mesmo que detesta trabalhar. Tanto que enrola o mais que pode. Sempre que tem uma oportunidade, faz de conta que trabalha. Não se ausenta do local, mas também não se esforça. Bom, não se ausenta fisicamente, mas não faz o que tem que ser feito. A sua função é atender as pessoas. Antes de começar a trabalhar, já esteve ali várias vezes como usuária dos serviços que agora presta. Sentia tanta indignação quando era mal atendida! Quando por algum motivo, demoravam para atendê-la, ficava chateada. Achava falta de respeito! Ficava irritada quando a atendente estava falando ao telefone, e a deixava esperando. Não entendia como alguém que trabalha com pessoas, conseguia ser tão irresponsável e lidar com tanta indiferença com o outro! Já chegou a verbalizar sua indignação algumas vezes. Mas parece que depois que se tornou funcionária, se esqueceu com extrema facilidade e rapidez disso. Acha insuportável, e nem se importa em atender pelo menos com educação as pessoas que a procuram. O mais comum, é tratar todos que ali chegam precisando do seu atendimento, com muita grosseria e desleixo. E indiferença! Deixa-os às vezes um bom tempo esperando. De maneira irresponsável, bate papo com os colegas, conversa com amigos no msn e aproveita o telefone da firma, para ligar para vários conhecidos. Afinal, não vai ser ela quem vai pagar. Tem celular, mas durante o dia, o usa geralmente só para receber ligações. Aproveita o telefone do seu local de trabalho, para colocar a conversa em dia. Seu aparelho de celular é sempre o mais moderno e atual que existe. Antes de trabalhar naquele local, não tinha nenhum. Aliás, quando estava desempregada, passava muitas dificuldades. Se sentia tão infeliz por não trabalhar! Sonhava em conseguir um emprego, em se sentir produtiva. E mais que isso, em ter um salário. Vive com os pais e dependia financeiramente deles. Para tudo! Achava insuportável aquela situação. Sentia tanta tristeza! Adora sair à noite, ir a shows, comprar roupas novas. Quando não trabalhava, nem podia sair muito. Shows então, nem pensar, pois seus pais ganham pouco e ela ainda tem mais cinco irmãos pequenos. O dinheiro dos pais mal dá para sustentar o básico da família. Ela queria muito trabalhar, ter seu próprio dinheiro. Parar de depender dos pais. Batalhou muito para conseguir aquele emprego. Ficou tão feliz e animada quando conseguiu! Agora tem o próprio salário, e pode ter acesso a várias coisas que sempre quis. E reclama! Parece que já apagou da memória as dificuldades que passava antes de começar a trabalhar. Situação muito comum! Ser humano costuma ser assim. Reclama porque não tem. Mas esbraveja quando consegue! O trabalho costuma estar como um dos primeiros das listas de reclamações e insatisfações de várias pessoas. Não sei quem estabeleceu que trabalhar é sempre ruim, desgastante. E como sempre, muitas pessoas aderiram a esta maneira de pensar. E estão por aí, exercendo a profissão de uma maneira tão desleixada e insignificante, que o que fica parecendo é que insignificantes e desleixados na verdade são eles.
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